sábado, 21 de agosto de 2010

Nascimento, formatura, casamento e morte

A família toda reunida. Se não me engano, até mesmo minha mãe estava presente para a cerimônia do meu casamento. Todos, muito felizes, já comentavam sobre o bebê que eu deveria ter em breve. Não que eu estivesse grávida, mas era essa a vontade das minhas tias. Uma de minhas primas, talvez a Raquel, já estava esperando o seu.

O noivo, um rapaz desconhecido, loiro e de cabelo baixo, não me dava a mínima. Mas eu não parecia ligar muito para isso, me sentia completamente feliz. Aos prantos, Ana Cláudia apareceu já no final da cerimônia. Chorava por ter chegado atrasada… não havia podido vir mais cedo porque era o dia de sua formatura. Falei que não havia problema algum e também lhe dei os parabéns. Ela, então, parou de chorar e me mostrou seu modelito e a sandália nova que calçava.

No dia seguinte, a tia Cláudia, irmã do meu pai, me avisou que eu deveria levá-lo até um lugar para que recebesse uma mensagem. Obedeci. Eu, meu pai e meu irmão fomos até o local indicado, no desvio de uma estrada. O solo era arenoso e havia uma árvore imensa. Um cachorro da raça boxer, não sei dizer se era o Argos, recolhia as folhas da árvore e, com elas, criava uma imagem, uma espécie de escultura. Meu pai se recusava a acreditar que o havia levado até ali para ver aquilo. Mas reiterei que era importante que visse a mensagem. Apesar de já saber do que se tratava, não poderia lhe contar. Era uma notícia difícil e dolorosa e ele não acreditaria se eu lhe dissesse. A tia Cláudia deixou claro que a única forma de ele acreditar que sua morte se aproximava era vendo com os próprios olhos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Corra Ana, corra!

Estávamos em meio a uma multidão aguardando para assistir a um show de rock. Minha amiga tinha droga e dividiu comigo. Guardei a minha parte no bolso, enrolada em um papel. Ela também guardou a dela. Estávamos ansiosas, parecia que já esperávamos há uma eternidade. Foi quando pediram que nos afastássemos do portão. Um menino com um olhar penetrante e uma cicatriz imensa no lado esquerdo do rosto nos explicou que iriam soltar um leão. A multidão então se afastou, formando um círculo, e o leão surgiu no centro. A pessoa responsável pela abertura dos portões, não me lembro se homem ou mulher, afirmou que o leão escolheria os indivíduos que não poderiam entrar no evento.

Minha amiga ficou preocupada. Disse que, provavelmente, ele farejaria as pessoas que carregavam droga e temeu pela gente. O leão, que havia se transformado em um cachorro de cor amarelada, observava cada indivíduo e pulava raivoso sobre aqueles que não deveriam entrar. Seu olhar era penetrante como o do garoto da cicatriz. Pulou sobre um, dois, três meninos. Saltou sobre o Gustavo. Por isso, falei pra minha amiga que o motivo não deveria ser drogas, afinal, o Gustavo não era disso. Pulou também sobre o menino que estava ao meu lado. Com o impacto, ele caiu sobre mim e eu, num reflexo, o empurrei para frente, contra o cão. O animal, então, o atacou e, em seguida, saltou sobre a gente.

Nós duas começamos a correr. Todos aqueles sobre os quais o cachorro havia pulado também correram. Os dois cães – sim, agora eram dois – nos perseguiam. Rolamos por um barranco e chegamos a uma feira. Parei em uma barraca para comprar um doce de leite ou rapadura para minha avó. Era tanta variedade que não sabia qual levar. O tempo corria. E os cães ferozes também.

Com o doce comprado, continuamos a correr. Desta vez, retornávamos para o local do show. Quando chegamos lá, já não precisávamos mais temer os cães. Assim, resolvi conversar com o responsável pela abertura dos portões para saber por que não pudemos entrar. Ele confirmou, rindo, a suspeita de minha amiga em relação a drogas. Fiquei indignada. Como assim o Gustavo estaria usando drogas? Para tirar essa história a limpo, remexi no bolso da jaqueta dele e encontrei uma prova concreta: uma nota fiscal da compra de ácido. Mas peraí. Na nota estava escrito LSG e não LSD. O que seria? Comecei a viajar no significado das siglas e me lembrei de GLS. Seria o Gustavo gay? Ou seria LSG a sigla para uma nova droga? Não sei. E também não cheguei a nenhuma conclusão.