A família toda reunida. Se não me engano, até mesmo minha mãe estava presente para a cerimônia do meu casamento. Todos, muito felizes, já comentavam sobre o bebê que eu deveria ter em breve. Não que eu estivesse grávida, mas era essa a vontade das minhas tias. Uma de minhas primas, talvez a Raquel, já estava esperando o seu.
O noivo, um rapaz desconhecido, loiro e de cabelo baixo, não me dava a mínima. Mas eu não parecia ligar muito para isso, me sentia completamente feliz. Aos prantos, Ana Cláudia apareceu já no final da cerimônia. Chorava por ter chegado atrasada… não havia podido vir mais cedo porque era o dia de sua formatura. Falei que não havia problema algum e também lhe dei os parabéns. Ela, então, parou de chorar e me mostrou seu modelito e a sandália nova que calçava.
No dia seguinte, a tia Cláudia, irmã do meu pai, me avisou que eu deveria levá-lo até um lugar para que recebesse uma mensagem. Obedeci. Eu, meu pai e meu irmão fomos até o local indicado, no desvio de uma estrada. O solo era arenoso e havia uma árvore imensa. Um cachorro da raça boxer, não sei dizer se era o Argos, recolhia as folhas da árvore e, com elas, criava uma imagem, uma espécie de escultura. Meu pai se recusava a acreditar que o havia levado até ali para ver aquilo. Mas reiterei que era importante que visse a mensagem. Apesar de já saber do que se tratava, não poderia lhe contar. Era uma notícia difícil e dolorosa e ele não acreditaria se eu lhe dissesse. A tia Cláudia deixou claro que a única forma de ele acreditar que sua morte se aproximava era vendo com os próprios olhos.
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