quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O cemitério de relíquias

Saira da cadeia há poucos dias. Não se sabe porque havia sido preso, mas os acontecimentos seguintes deixariam claro do que ele era capaz.

Às margens do rio, uma família rica festejava. Mulheres dançavam com longos vestidos rodados. Todos estavam sorridentes e realmente felizes.O homem, aquele mesmo que estava detido há alguns dias, acompanhava tudo de longe. Quando o patriarca da família começou a proferir o seu discurso, foi atacado por uma imensa dor nas costas e caiu sobre o rio.O ex-prisioneiro tinha atravessado a multidão que rodeava o velho e o atingiu com um machado. Em seguida, enfiou os dedos em sua boca e arrancou a dentadura (na verdade, uma espécie de moldeira) de ouro que cintilava sob o sol quente.

Tempo depois, não sei se meses, anos ou até mesmo centenas de anos, o local do homicídio se tornou um cemitério de tesouros. Havia colares, brincos, anéis e moedas jogados por toda a areia das margens. Eu, Marina e mais alguma outra amiga passeávamos pelo local quando enchemos os olhos com tanta riqueza. E, claro, os bolsos também.

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