Estávamos em meio a uma multidão aguardando para assistir a um show de rock. Minha amiga tinha droga e dividiu comigo. Guardei a minha parte no bolso, enrolada em um papel. Ela também guardou a dela. Estávamos ansiosas, parecia que já esperávamos há uma eternidade. Foi quando pediram que nos afastássemos do portão. Um menino com um olhar penetrante e uma cicatriz imensa no lado esquerdo do rosto nos explicou que iriam soltar um leão. A multidão então se afastou, formando um círculo, e o leão surgiu no centro. A pessoa responsável pela abertura dos portões, não me lembro se homem ou mulher, afirmou que o leão escolheria os indivíduos que não poderiam entrar no evento.
Minha amiga ficou preocupada. Disse que, provavelmente, ele farejaria as pessoas que carregavam droga e temeu pela gente. O leão, que havia se transformado em um cachorro de cor amarelada, observava cada indivíduo e pulava raivoso sobre aqueles que não deveriam entrar. Seu olhar era penetrante como o do garoto da cicatriz. Pulou sobre um, dois, três meninos. Saltou sobre o Gustavo. Por isso, falei pra minha amiga que o motivo não deveria ser drogas, afinal, o Gustavo não era disso. Pulou também sobre o menino que estava ao meu lado. Com o impacto, ele caiu sobre mim e eu, num reflexo, o empurrei para frente, contra o cão. O animal, então, o atacou e, em seguida, saltou sobre a gente.
Nós duas começamos a correr. Todos aqueles sobre os quais o cachorro havia pulado também correram. Os dois cães – sim, agora eram dois – nos perseguiam. Rolamos por um barranco e chegamos a uma feira. Parei em uma barraca para comprar um doce de leite ou rapadura para minha avó. Era tanta variedade que não sabia qual levar. O tempo corria. E os cães ferozes também.
Com o doce comprado, continuamos a correr. Desta vez, retornávamos para o local do show. Quando chegamos lá, já não precisávamos mais temer os cães. Assim, resolvi conversar com o responsável pela abertura dos portões para saber por que não pudemos entrar. Ele confirmou, rindo, a suspeita de minha amiga em relação a drogas. Fiquei indignada. Como assim o Gustavo estaria usando drogas? Para tirar essa história a limpo, remexi no bolso da jaqueta dele e encontrei uma prova concreta: uma nota fiscal da compra de ácido. Mas peraí. Na nota estava escrito LSG e não LSD. O que seria? Comecei a viajar no significado das siglas e me lembrei de GLS. Seria o Gustavo gay? Ou seria LSG a sigla para uma nova droga? Não sei. E também não cheguei a nenhuma conclusão.
Bacana!
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