Havia
acabado de sair do shopping, estava no estacionamento. Subi, com pressa, uma
longa sequência de degraus até chegar ao guichê para pagar meu ticket. Paguei,
desci as escadas e entrei em meu carro. “Não, calma”. Havia esquecido algo.
Saí, então, do carro, carregando uma pasta, notas fiscais, o ticket do
estacionamento e o arranhador do meu gato. Sim, o arranhador do meu gato. Não,
não sei o motivo, mas sei que, quando um rapaz passou por mim, a bolinha do
arranhador fez aquele barulho de chocalho, e o rapaz me olhou de rabo-de-olho.
De repente, minha pressão começou a baixar. Eu fiquei lenta. As pessoas
conversando, os carros passando, tudo, tudo parecia lento. Quase fui atropelada
ao atravessar a rua. Minhas pernas caminhavam devagar, não obedeciam aos meus
comandos. Foi assim que caí desmaiada sobre o chão. Deitada no asfalto, em
posição fetal, acordei: era a mesma posição em que eu dormia esta tarde no
sofá. Sentia calafrios e dor de cabeça – e essa parte, para o meu azar, não era
sonho.
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