sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cochilo

Havia acabado de sair do shopping, estava no estacionamento. Subi, com pressa, uma longa sequência de degraus até chegar ao guichê para pagar meu ticket. Paguei, desci as escadas e entrei em meu carro. “Não, calma”. Havia esquecido algo. Saí, então, do carro, carregando uma pasta, notas fiscais, o ticket do estacionamento e o arranhador do meu gato. Sim, o arranhador do meu gato. Não, não sei o motivo, mas sei que, quando um rapaz passou por mim, a bolinha do arranhador fez aquele barulho de chocalho, e o rapaz me olhou de rabo-de-olho. 

De repente, minha pressão começou a baixar. Eu fiquei lenta. As pessoas conversando, os carros passando, tudo, tudo parecia lento. Quase fui atropelada ao atravessar a rua. Minhas pernas caminhavam devagar, não obedeciam aos meus comandos. Foi assim que caí desmaiada sobre o chão. Deitada no asfalto, em posição fetal, acordei: era a mesma posição em que eu dormia esta tarde no sofá. Sentia calafrios e dor de cabeça – e essa parte, para o meu azar, não era sonho.

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